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Homem preso no lugar do irmão se prepara para passar o Natal em família

Carlos Vieira/CB/D.A PressO Instituto de Identificação da Polícia Civil do DF comprovou o erro por meio de análise das digitais, após pedido de uma defensora pública, que cuidou do caso

O Natal de 2017 para a família de Jefferson Carlos da Silva ganhou ainda mais importância. Afinal, esse seria o primeiro que ele ficaria longe dos parentes. Tudo por um erro da polícia e da Justiça goianas. O homem de 32 anos ficou 18 dias preso por um crime que não cometeu. Nesse período, ficou sem comer e sofreu outros abusos na cadeia, devido às dificuldades de comunicação e de se defender, impostas pelo retardo mental moderado e a profunda depressão.

Jefferson diz perdoar o irmão, mesmo tendo sido preso por engano no lugar dele. Jackson Beserra da Silva, 30 anos, foi condenado por um roubo ocorrido em Anápolis (GO), em 2007. Mas Jackson assinou o nome de Jefferson em um termo de compromisso ao ser preso em flagrante, pois estava sem documento. Ele respondeu ao processo em liberdade. Porém, um juiz o considerou culpado e impôs uma pena de cinco anos e quatro meses de detenção. Os prazos para recursos acabaram em novembro. Como a pena tinha de ser aplicada e constava o nome Jefferson no processo, ele foi preso no dia 21.
 
Como o suposto réu morava no Recanto das Emas, policiais civis do DF levaram Jefferson para o Complexo Penitenciário da Papuda. Desses 18 dias no Centro de Detenção Provisória, a pior lembrança dele vem dos colegas de cela.  “Ele apanhou de outros presos. Estava extremamente preocupada com medo de acontecer algum mal com o meu filho. No dia em que ele foi detido, ele só chorava e não entendia porque estava ali”, contou a mãe do homem, Tereza Beserra, 57 anos.
 
Jefferson apanhou porque não soube explicar a razão de estar preso. Logo julgaram que teria cometido algo imperdoável no código de conduta dos presidiários, como um estupro. Os socos e tapas só cessaram depois que Jefferson pediu socorro a um agente penitenciário. O funcionário explicou o motivo da prisão e, poucos dias depois, um outro acusado, que conhecia o irmão de Jefferson, foi colocado na mesma cela. Ele contou o caso do roubo aos demais detentos e das condições psíquicas de Jefferson. No entanto, eles viviam roubando as refeições do homem detido por engano, que não reagia. “Queria estar logo em casa. Foi muito ruim, senti medo”, resumiu Jefferson, com dificuldade de explanação.

Análise das digitais

O Instituto de Identificação da Polícia Civil do DF comprovou o erro por meio de análise das digitais, após pedido de uma defensora pública, que cuidou do caso. Mas a Justiça de Goiás só relaxou a prisão de Jefferson. Entre outras restrições, o homem não pode, por exemplo, circular em via pública após as 22h.
 
O processo do crime em Anápolis ainda está em andamento. Para comprovar a inocência de Jefferson, laudos estão sendo colhidos pela defesa, que também vai iniciar uma ação contra o Estado. “O meu irmão não é o primeiro a ser preso injustamente. É constatada falha e isso não pode ocorrer novamente. Algo tem que ser feito para ninguém mais parar atrás das grades sem ter culpa”, comentou a irmã de Jefferson, Janaína Karlen Silva Oliveira, 34 anos.
 
Jefferson deixou a Papuda no dia 8. Desde então, Janaína e a mãe comemoram o fato dele passar o Natal em família. Costureira, Tereza luta para manter a casa, onde moram os cinco filhos e uma neta,  Júlia Emília, 4 anos. Além de Jefferson, diagnosticado com problemas mentais, Tereza tem um filho esquizofrênico, em consequência de diversas pancadas na cabeça durante um assalto.
 

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