Todo o dinheiro que temos na carteira vai ser virtual em breve — estamos preparados para isso?

A validação feita através de um dado biométrico, como uma simples impressão digital.

Numa era em que tudo à nossa volta é digital, faz sentido continuarmos a usar moedas e notas para comprar as coisas do dia a dia? É possível viver apenas com um cartão? Isso é mais ou menos seguro? Conseguimos poupar dinheiro dessa forma ou acabamos por comprar coisas mais caras por não estarmos a olhar efetivamente para o dinheiro?

Em Portugal, há poucas pessoas que conseguem sobreviver apenas com um cartão de pagamento. As estatísticas demonstram precisamente isso: 73% dos pagamentos ainda são feitos em dinheiro vivo.

Mas o principal motivo que explica este número não está no lado psicológico dos portugueses, mas sim nas dificuldades que nos rodeiam. Nos transportes públicos, por exemplo, não há sistemas de pagamento com cartões. E os cafés só costumam aceitar pagamentos com cartões acima dos 5€. Problemas que não existem noutros países da União Europeia.

Curiosamente, segundo dados do Banco de Portugal, de agosto de 2018, cada português tem, em média, três cartões bancários (dois de débito e um de crédito).

Segundo o Mastercard Innovation Forum — que se realizou em Lisboa no dia 25 de setembro e que reuniu vários especialistas em economia digital —, esta estatística reforça a necessidade de evoluir o modelo de pagamentos em Portugal, que é, cada vez mais, visto como “um entrave” à entrada de novos players que trazem inovação e que é fundamental para a construção de uma sociedade cada vez mais cashless — onde os pagamentos em dinheiro são substituídos, definitivamente, por pagamentos digitais. Há países na Europa em que as transações contactless aumentaram 97%. Na maioria destes países, uma em cada duas transações em loja já são contactless.

Outra das soluções tecnológicas que protegem os seus dados é a tokenização. Esta é a palavra com que os especialistas explicam às pessoas que quando elas utilizam o seu cartão de forma digital, na prática, as credenciais do seu cartão não estão a ser usadas. Ou seja: o token, combinado com a adopção de processos de autenticação biométrica, permite que, em cada compra, deixe de ser necessário digitar um código ou inserir uma password. Bastará, a par do token, a validação feita através de um dado biométrico, como uma simples impressão digital, o reconhecimento facial ou a leitura da íris.

Bruno Degiovanni, o vice-presidente de Pagamentos Digitais da Mastercard que participou no Forum da empresa, afirma que “o objetivo é que a experiência seja segura e sem obstáculos”. A segurança é, portanto, um dos melhores argumentos para terminar com os pagamentos em dinheiro.

Além destas novidades tecnológicas, o Mastercard Innovation Forum dedicou especial atenção aos Cartões Biométricos, que combinam a tecnologia “chip” (com um sensor para leitura da impressão digital) com um Espelho Inteligente (um espelho touch-screen interativo) e com as Wearables (pagamentos feitos com jóias, anéis, relógios ou pulseiras). Estes nomes estranhos parecem um filme de ficção científica, nós sabemos. Mas já são, de facto, uma realidade.

Fonte: NIT

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