Perícia Necropapiloscópica é realizada e identifica cadáver refrigerado por 3 meses no IML de Petrolina

A Diretoria da ASPPAPE tomou conhecimento de uma fato que gerou grande comoção e repercussão na Cidade de Petrolina/PE e graças aos trabalhos desenvolvidos pelos peritos papiloscopistas lotados no IML/Petrolina assistidos por outros peritos papiloscopistas do Instituto de Identificação Tavares Buril conseguiram identificar um corpo com identidade desconhecida e assim amenizar ao menos um pouco a dor dos familiares na busca da pessoa que se encontrava desaparecida.

Entenda a história:

Um corpo foi encontrado em 16/02/18, mesmo dia em que foi dada entrada no IML. Por se tratar de um corpo com identidade desconhecida, o cadáver foi refrigerado no momento que deu entrada até a data de 16/05/18 quando a família se apresentou requerendo a retirada do corpo.

A vítima não possuía marcas especificas no corpo que facilitassem o reconhecimento por parte dos familiares (a única era uma tatuagem, porém a família não tinha conhecimento e não precisava o local) além disso, o corpo já apresentava considerável estado de decomposição, onde nesses casos apenas o reconhecimento não é válido, sendo necessário que a polícia civil acione seus peritos que por meio de métodos científicos como comparação de DNA, arcada dentária ou por exames papiloscópicos (impressão digital como é mais conhecida).

Os métodos existentes:

O confronto pelo DNA é mais amplo, por poder usar material biológico de qualquer parte do corpo, todavia apresenta alto custo e exige determinado período de tempo para ser realizado. O confronto pela arcada dentária é menos usual por ser necessário que a vítima tenha como base de comparação exames complexos ou um molde da arcada dentária mais recente possível além da vítima ter que possuir mais preservado possível a sua arcada dentária para uma maior certeza na produção do laudo pelo perito. No caso dos exames papilares, Pernambuco tem se destacado pois conta com uma equipe ampla e especializada de peritos para realização de perícias necropapiloscópicas (perícias realizadas para identificação de cadáveres por meio das impressões digitais, palmares e plantares), conhecidos aqui no Estado como Peritos Papiloscopistas, utilizam técnicas e métodos científicos para identificação papiloscópica da vítima que além de ser muito mais barato e rápido, consegue a identificação humana com uma precisão maior que o DNA que não é possível distinguir entre irmãos gêmeos, já a papiloscopia tem 100% de certeza. 

Vista a eficácia e rapidez necessária para identificação da vítima, foi realizada a perícia necropapiloscópica visando a identificação do cadáver em questão.

Dos procedimentos realizados:

São utilizadas diversas técnicas e métodos científicos aprimorados a cada dia com estudos nessa área pericial e a depender do estado em que se encontra o material a ser periciado. Devido ao clima da região, o corpo apresentava avançado estado de putrefação com algumas partes do corpo em estágios diferentes de decomposição, onde cada uma das mãos apresentavam características diferentes para análise, sendo assim, foram utilizadas mais de uma técnica. Em dois dedos havia impressões digitais com possibilidade de confronto, onde a falange distal do dedo minimo da mão esquerda encontrava-se com a epiderme quase em sua totalidade descascada e com características de muito desgaste com poucas áreas propícias para coleta de boa qualidade, porém percebeu-se a possibilidade de análise e confronto na região da derme que apresentou possibilidade da coleta. Assim foi feita a coleta com utilização da técnica de fotografia direta com ajuda de realçadores aplicados sobre a derme. A outra impressão analisada foi da falange distal do dedo polegar direito, que por se encontrar com a pele bastante ressecada e rígida foi necessária uma técnica onde é realizada a incisão parcial da região da derme da falange distal, que posteriormente foi colocada submersa em uma solução de glicerina para hidratação e em algumas horas, após secagem, feita a coleta por entintamento, e que por não ter sido possível o destaque total para utilizar a epiderme na forma de luva cadavérica, esta teve posição na transferência para o suporte inverso ao invés de pressioná-lo, a mesma foi pressionada.

Da conclusão da perícia:

Dessa forma, após a realização da perícia necropapiloscópica apontando as impressões possíveis de confrontação papiloscópica foram realizadas buscas nos arquivos do IITB, utilizando como referência o nome citado pelos familiares e de acordo com confronto papiloscópico realizado com prontuário civil que consta os dados biográficos e biométricos, a exemplo das impressões digitais, foi possível identificar a vítima com a certeza irrefutável de sua identificação e posterior liberação do corpo aos familiares.

São tantos trabalhos como esses desempenhados pelos peritos papiloscopistas de pernambuco com resultados indiscutíveis e grande relevância à sociedade pernambucana que nos fazem continuar a querer contribuir cada vez mais, mesmo com tanta dificuldade encontrada e com as perseguições institucionais a nossa categoria.

A DIRETORIA ASPPAPE  

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