Mãe de um dos nove adolescentes mortos em centro de internação soube do incêndio por reportagem: ‘Estou destruída’

Alojamento ficou destruído após incêndio em centro de internação, em Goiânia (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)…o filho já foi identificado por meio de impressão digital.

Mãe de um dos nove adolescentes que morreram no incêndio em um centro de internação em Goiânia, uma dona de casa, que prefere não se identificar, conta que soube da tragédia ao assistir a uma reportagem. Em seguida, ela correu até o 7º Batalhão da Polícia Militar, no Jardim Europa, em busca de informações sobre o filho, de 16 anos.

“Fui correndo para lá na esperança de ele estar bem, mas não falaram o nome dele na lista dos que estavam bem. Não consigo comer, nem pensar, estou destruída, não sei como vou viver sem meu filho”, disse.

incêndio aconteceu no fim da manhã de sexta-feira (26), no Centro de Internação Provisória do 7º Batalhão da Polícia Militar em Goiânia. Nove adolescentes morreram. Outro garoto também ficou ferido, mas sobreviveu e, segundo boletim médico divulgado neste sábado (26), ele está internado em estado grave no Hospital de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol).

De acordo com a dona de casa, o filho já foi identificado por meio de impressão digital. No entanto, o corpo não tinha sido liberado do Instituto Médico Legal até as 10h30.

Carta de ‘despedida’

A mulher conta que o adolescente era o mais velho dos quatro filhos. Segundo a mãe, ele estava no centro de internação há seis meses, após ser apreendido por roubo, e estava arrependido.

A última vez que a dona de casa viu o filho foi na quarta-feira (24), quando ele disse que estava bem. Conforme a mãe, o adolescente gostava de entregar cartas para a família.

“Ele me entregou uma carta falando que estava tudo bem, que eu não precisava me preocupar, que estava com saudade da gente”, disse a mãe.

De acordo com a dona de casa, o filho nunca falou sobre rixa dentro do centro de internação. No entanto, ele reclamava da estrutura. “Ele falava que não tinha capacidade para a quantidade de menores, não tinha estrutura, que já achou até luva dentro da marmita”, relatou a mulher.

Desativação do centro

A falta de estrutura da unidade também é defendida pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO). Os promotores pedem a desativação do Centro de Internação Provisória do 7º Batalhão da Polícia Militar em Goiânia desde 2012.

Conforme um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado na época, o órgão cobrava a construção de um novo centro de internação na capital e a desativação da antiga unidade. O órgão informou que, como os termos do documento não foram cumpridos, entrou com uma ação no Poder Judiciário. O MP-GO deu à causa valor de mais de R$ 9 milhões.

Por meio de nota, o governo de Goiás informou que o TAC “está sendo cumprido”. Ainda conforme o texto, “houve atraso em algumas obras e há um esforço constante para dar mais celeridade aos processos e execuções”.

Conforme apurou a TV Anhanguera, a ação ainda não foi julgada no Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO).

Superlotação

Um documento, de quarta-feira (23), assinado pela diretoria geral do Grupo Executivo de Apoio à Criança e ao Adolescente (Gecria), mostra que a unidade abrigava 80 internos e tinha capacidade para 52. Ainda assim, nota divulgada nesta sexta-feira (25) pelo governo estadual afirma que “não há superlotação na unidade”, que teria capacidade para 80 adolescentes.

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