Líder do PCC usava identidade falsa e atuava como empresário em Maceió

“Papiloscopista da PF realizou estudo da descrição das feições de Erik”

Um dos líderes da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) foi preso na manhã desta quinta-feira, num condomínio de luxo em Maceió, durante uma operação denominada ‘Duas Caras’ da Polícia Federal (PF). Erik da Silva Ferraz, de 39 anos, resistiu à voz de prisão entrou em confronto com os policiais da PF e do Bope (Batalhão de Operações Especiais) e acabou falecendo.

 

O superintendente da PF em Alagoas, Bernardo Gonçalves, detalhou os fatos que motivaram a operação resultando nas prisões da esposa, da sogra e dos cunhados do traficante, que usava a identidade falsa de Bruno Augusto Ferreira Júnior. Ele atuava na capital alagoana, como empresário e possuía estabelecimentos em nomes dos laranjas, entre eles, a pizzaria Moriah no bairro Antares, academia Premier Combat na Avenida Menino Marcelo e a boate Blackout Pub na Jatiúca.

Ao todo foram presas cinco pessoas, entre elas, um oficial tenente da Polícia Militar de Alagoas; três mandados de condução coercitiva foram cumpridos e nove de busca e apreensão. “Na casa de um dos laranjas foram encontrados aproximadamente 500 mil dólares, possivelmente com origem no exterior. O dinheiro será rastreado durante a continuação da investigação”, avisou o delegado Bernardo Gonçalves.

‘Bens’ apreendidos

Além da grana proveniente da lavagem de dinheiro também foram apreendidos: veículos de luxo, um jet ski, uma lancha, uma BMW avaliada no valor de R$ 350 mil, bem como, o sequestro de casas em condomínios de luxo e na Barra de São Miguel, cujo patrimônio pode chegar a R$ 8 milhões.

Erik Ferraz é filho do líder nacional do PCC no Brasil, João Aparecido Ferraz Neto, mais conhecido como João Cabeludo, que está foragido na Bolívia. Ele que usava identidade falsa desde a sua fuga em 2013 da cadeia de São Paulo, foi para Bolívia, onde segundo o delegado Bernardo, conheceu a esposa alagoana.

“Eles estavam morando aqui em Maceió desde janeiro de 2016 e mantinha pessoas laranjas para lavar dinheiro do crime”, disse o delegado Gustavo Gatto, que presidiu o inquérito policial. “Ninguém tinha renda e de uma hora para outra compraram imóveis e constituíram empresas à vista, os cunhados de Erik seriam os titulares das empresas, e a esposa e sogra dos imóveis”, explicou.

Gabriela Terêncio, esposa de Erik foi presa, assim como seus dois irmãos, um deles o lutador de MMA Diogo Terêncio, proprietário da Academia Premier Combat, e outro que seria tenente da Polícia Militar de Alagoas.

Pai é o sexto mais procurado

João Neto usava o filho para lavar dinheiro das ações delituosas do tráfico de drogas no Brasil. Ele acumula condenações que somam 500 anos de prisão e sua família comanda o tráfico de drogas na região de Jardim da Granja, zona sudoeste do município de São José dos Campos, em São Paulo. O sexto homem mais procurado do país.

O delegado Gustavo Gatto disse ainda que Erik era um dos líderes de um assalto com o avião da TAM no aeroporto de São José dos Campos, em 1996, e apontado também como chefe de uma quadrilha que praticou o sequestro de uma mulher chamada Alzira Bicudo. Erik respondia por 12 processos criminais.

Erik também teria sofrido um atentado na saída da academia Premier em setembro de 2016. Câmeras registraram a ação.

Os envolvidos na organização criminosa ficaram à disposição da justiça alagoana e serão encaminhados para o sistema penitenciário na parte alta de Maceió. Eles responderão por lavagem de dinheiro, associação criminosa e falsidade ideológica.

A operação ‘Duas Caras’ também contou com o apoio de policiais do Batalhão de Radiopatrulha.

Fonte: Tribuna Hoje

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