Diretores de departamento técnico da Polícia Civil entregam cargos e denunciam más condições de trabalho no AM

SSP rebate e não confirma que diretores pediram demissão. Em documento, diretores elencam más condições de trabalho no departamento.

Os diretores do Departamento de Polícia Técnico Científica (DPTC-AM) e dos Institutos de Criminalística e Identificação entregaram os respectivos cargos em um documento encaminhado ao Secretário de Segurança Pública e Delegado Geral. No memorando, os diretores elencam situações que dificultaram as condições de trabalho nos departamentos. A SSP não confirma pedido de demissão.

O documento é do dia 5 de janeiro deste ano e é endereçado ao vice-governador e também secretário de segurança pública do Estado, Bosco Saraiva e ao Delegado Geral, Mariolino Brito.

No documento, o ex-diretor do DPTC, Jefferson Mendes aponta que foi questionado pelo secretário sobre medidas adotadas para melhorar as atividades desenvolvidas no Instituto de Identificação.

No memorando, Mendes afirma que parte do orçamento previsto para o ano foi remanejado pela SSP, o que provocou prejuízos ao planejamento elaborado para os Institutos de Identificação, Médico Legal e de Criminalística.

O ex-diretor afirma, ainda que, para atender por completo a demanda dos Institutos, procurou recursos extraordinários com outros órgãos estaduais, angariando quase R$ 2,6 milhões. Mendes que aproximadamente R$ 1,9 milhões foram devolvidos, por conta da falta de conhecimento técnico dos setores responsáveis para realizar catalogações, pesquisas mercadológicas, elaborar projetos básicos, entre outras, perdendo o prazo de execução dos projetos e convênios supracitados.

Outra dificuldade apontada é a falta de autonomia orçamentária e financeira. O ex-diretor pede continuidade nos trâmites legais do projeto de lei que cria uma Unidade Orçamentária (UO) para o DPTC. Essa unidade possibilitaria planejar o orçamento e criar planos detalhados para atingir os objetivos da perícia criminal.

O último ponto apresentado pelos diretores seria a falta de motivação da classe por conta da falta de aumento salarial nos últimos cinco anos. No final do memorando, os ex-diretores afirmam que “não vislumbraram, neste momento, alternativa outra, senão oficializar a entrega das funções de Diretor do DPTC-AM e a de Diretores dos Institutos supracitados, os quais trabalharam arduamente para o adequado funcionamento das atividades periciais no auxílio à Justiça.

SSP-AM responde e anuncia mudanças

Em nota, a SSP não cita o memorando e não fala sobre pedidos de demissão. O órgão afirma que promoveu mudanças no comando do Departamento e nos Institutos após avaliações administrativas.

“Para o cargo de diretor do DPTC está sendo nomeado o perito Carlos Malom Alencar Queiroz. O Instituto de Identificação será dirigido pelo perito Jorge Saraiva Soares e o Instituto de Criminalística pelo perito Mahatma Sonhara Araújo do Porto. O nome para o IML ainda está sendo avaliado”, afirma a nota.

A secretaria afirma que além da mudança na direção, deve promover investimentos destinados à melhoria da infraestrutura e trabalho dos peritos do estado, e que o secretário Bosco Saraiva determinou a realização de estudos de impacto financeiro na folha de pagamento da Polícia Civil para avaliar a concessão de ajuste salarial aos profissionais.

A SSP finaliza a nota afirmando que a nova gestão da perícia criminal foi ordenada a colocar em funcionamento novas tecnologias e equipamentos adquiridos e “evitar repetir o que os gestores afastados fizeram: devolver recursos de investimentos públicos, ao invés de trabalhar para aplicá-los. No último ano, dos R$ 2,6 milhões obtidos para desenvolvimento de projetos, a antiga direção da perícia criminal não conseguiu aplicar cerca de R$ 1,9 milhões, causando prejuízos incalculáveis para a área”, finalizou.

Fonte: G1 Amazonas

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