Homem é identificado 21 anos após cometer crime

Instituto de Identificação da Polícia Civil de Goiás foi determinante para a elucidação do assassinato de uma publicitária ocorrido há 21 anos em Natal, capital do Rio Grande do Norte.

Através de sua Divisão de Tecnologia, Pesquisa e Desenvolvimento, o Instituto de Identificação da Polícia Civil de Goiás foi determinante para a elucidação do assassinato de uma publicitária ocorrido há 21 anos em Natal, capital do Rio Grande do Norte. A pedido do Ministério Público do Estado nordestino, a Seção de Prosopografia e Identificação Humana (SPIH) do órgão público goiano, que é referência no País, identificou o pedreiro Gilson Pegado da Silva como o homem que matou Sílvia Mannu com 34 facadas na frente da filha de 3 anos.

Na época o crime chocou Natal onde vivia Sílvia Mannu, então com 34 anos. No dia 23 de setembro de 1997 Gilson Pegado invadiu a residência da publicitária, no bairro de Ponta Negra, Região Sul de Natal, com a intenção de roubar. Sílvia reagiu e acabou morta a facadas pelo pedreiro que não poupou a presença da filha da vítima, de apenas 3 anos. Embora tenha sido preso, o autor do crime estava respondendo em liberdade quando fugiu, prejudicando a continuidade da ação penal. Ele nunca foi julgado pelo assassinato de Sílvia Mannu.

O trabalho realizado pelo MP do Rio Grande do Norte em conjunto com o Instituto de Identificação de Goiás e com a Polícia Civil do Rio de Janeiro possibilitou esta semana a prisão de Gilson na capital fluminense onde estava residindo. Como o pedreiro usava documentos falsos em nome de André Lima de Macedo, ele só foi identificado após o trabalho de reconhecimento facial realizado pelos técnicos goianos. Sem saída, ele acabou confessando o crime.

Coordenadora da Divisão de Tecnologia, Pesquisa e Desenvolvimento do órgão, a papiloscopista Thaís Buiati conta que sua equipe trabalhou uma semana para dar uma resposta segura ao MP potiguar. Foram utilizadas técnicas de projeção de envelhecimento e de reconhecimento facial de imagens, além de exame prosopográfico. Este último faz uma comparação dos elementos que constituem a face – boca, nariz, olhos, orelhas – e tenta estabelecer semelhanças para mostrar se é ou ou não a mesma pessoa. Neste caso, foram comparadas duas imagens de Gilson Pegado, uma dele bem mais novo e outra atual.

Dois técnicos datiloscopistas de Goiás foram decisivos para identificar o criminoso. Joyce Fernandes, da equipe de Prosopografia, é uma especialista reconhecida nacionalmente e autora de livros sobre o tema. Ela também orientou a delegada responsável pelo caso em Natal a coletar novos elementos para confirmar a identificação tendo em vista a possibilidade de erro em caso de gêmeos idênticos. Já Bruno Costa fez a projeção de envelhecimento de Gilson Pegado. “O trabalho foi imprescindível para o reconhecimento facial do foragido, considerando que já havia decorrido mais de 21 anos da data do crime”, elogiou a promotora de Justiça, Liv Queiroz, do MP do Rio Grande do Norte.

Goiás é hoje referência no Brasil no trabalho de representação facial humana. Thaís Buaiti explica que por não serem muito desenvolvidos no restante do País, os serviços de prosopografia de Goiás são sempre muito procurados. Ela acredita que um novo programa desenvolvido por sua equipe e batizado de Harpia que explora várias imagens de uma mesma pessoa será fundamental para esclarecer casos de desaparecimentos.

Fonte: UGOPOCI

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